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Região Norte já tem sua lista de espécies de plantas do futuro

Cerca de 90 espécies nativas da Amazônia integram a lista de plantas prioritárias da Região Norte. A relação foi definida durante o Workshop Avaliação e Seleção de Espécies de Plantas do Futuro na Região Norte, evento realizado pelo Museu Goeldi na útima semana de novembro, em Belém, PA.

Durante três dias, mais de 130 pessoas, entre pesquisadores, professores, técnicos, empresários, comunitários, representantes de associações de classe, manipuladores de plantas medicinais, floricultores, artesãos e pessoas interessadas pelo assunto avaliaram cerca de 800 espécies de plantas, que integram um universo de aproximadamente 2.500 espécies com algum tipo de uso na Amazônia.

“Foi um grande desafio tentar listar as espécies vegetais prioritárias para a região amazônica”, afirmou Samuel Almeida, do Museu Goeldi. O pesquisador coordena o projeto “A flora de importância econômica atual ou potencial na região norte”, que tem por objetivo fomentar a utilização de plantas nativas da Amazônia pelas comunidades rurais.

De acordo com Samuel Almeida, foram incluídas na lista apenas espécies nativas da região e que não estão ameaçadas de extinção. A seleção das plantas do futuro se baseou em estudos botânicos, ecológicos, químico-farmacológicos, toxicológicos e etnobotânicos, além do conhecimento existente sobre o manejo, cultivo e conservação dessas espécies. Também foram considerados critérios econômicos, como mercado consumidor e cadeia produtiva.
As plantas foram agrupadas em oito categorias de uso: medicinais, aromáticas, alimentícias, fibrosas, forrageiras, oleaginosas, ornamentais, tóxicas ou biocidas.

Os grupos mais diversos foram os de plantas alimentícias e medicinais. No grupo das alimentícias, foram selecionadas 13 plantas, entre fruteiras, hortaliças, condimentos e tubérculos. Um dos destaques foi o açaí. Representado por duas espécies – Euterpe oleracea e Euterpe precatória – o fruto conseguiu romper os limites da Amazônia e apresenta um mercado em franca expansão, inclusive no exterior.

O cupuaçu (Theobroma grandiflorum), o bacuri (Platonia insignis), o muruci (Byrsonima crassifólia) e o taperebá (Spondias mombin) também foram apontados pelos participantes como frutas de polpa agradável, com forte demanda e mercado em crescimento. “Temos um potencial incrível para as fruteiras da Amazônia”, afirma Samuel Almeida.

Com doze plantas selecionadas, o grupo das plantas medicinais conta com espécies como a andiroba (Carapa guianensis), a copaíba (Copaifera reticulata, C. multijuga e C.guianensis), a canarana (Costus spicatus), a verônica (Dalbergia ecastaphyllum, D. monetaria e D. subcymosae) e o jatobá (Hymenaea courbaril). Boa parte dessas espécies é explorada de forma extrativista pelas populações da floresta.

Dentre as fibrosas, foram selecionadas oito plantas com potencial para produção artesanal e agroindustrial, como o miriti (Mauritia flexuosa), utilizado na fabricação de brinquedos; e o curauá (Ananas erectifolius), que produz uma fibra tão resistente quanto a fibra de vidro e que já é utilizada em indústrias de papel, automobilística e de informática.

Composto por plantas produtoras de óleos essenciais utilizados pela indústria de perfumes e cosméticos, o grupo das aromáticas incluiu 7 plantas, com destaque para a pimenta-longa (Piper aduncum e P. hispidinervium), a sacaca (Croton cajucara), o breu-branco (Protium heptaphyllum e P. pallidum), a priprioca (Cyperus articulatus), entre outras.

No grupo das forrageiras foram selecionadas 10 plantas nativas indicadas para alimentação animal, enquanto que no de ornamentais foram priorizadas nove espécies com potencial para arborização, jardinagem e confecção de biojóias. Também foram selecionadas cerca de 10 plantas oleaginosas e três classificadas como tóxicas e biocidas.

Pesquisa - Além da lista com as plantas indicadas como prioritárias para investimentos e negócios, foram também elencadas mais de uma centena de espécies para as quais foram recomendados estudos mais aprofundados. A idéia, segundo Samuel Almeida, é investir em pesquisas para que essas espécies possam se constituir em oportunidades reais de uso.



Fonte: Assessoria de comunicação do Museu Goeldi






 
 
 
 
 
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