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Indústria brasileira consegue produzir novas variedades de plantas

Imagine uma rosa de pétalas verdes ou brancas com as bordas vermelhas. Quem sabe, uma flor copo-de-leite alaranjada. Todas de uma excentricidade tal que nos remete às flores desenhadas por uma criança, em um jardim imaginário. Porém, essas descrições não têm nada de fantasia. São a pura realidade, surgida graças aos avanços do melhoramento genético. “A tecnologia nos permite escolher, por exemplo, as tonalidades de cores, assim como o tamanho e o tempo de conservação das plantas”, explica Gustavo Vieira, agrônomo da Flora Reijers, empresa especializada na produção de rosas híbridas.

Desde o nascimento da ovelha Dolly, em 1996, no Reino Unido, a clonagem tornou-se assunto conhecido e identificado como novidade. No entanto, os clones (população de moléculas, células ou organismos originados de uma única célula, idênticos à matriz original) são fabricados pela natureza há milhões de anos. São os chamados indivíduos híbridos. “Geneticamente, todas as flores são indivíduos híbridos”, explica Vieira. A palavra clone, originada do vocábulo grego klon (broto), foi criada para denominar indivíduos que se originam de outros por reprodução assexuada, o que é bastante comum entre os vegetais. A aplicação do homem desse método natural de produzir cópias já é antiga no cultivo de plantas. Contudo, a facilidade de obter um grande número de cópias idênticas é muito valorizada na floricultura, sempre à procura de novas cores e formas para a beleza de seus produtos.

Dessa forma, mudas importadas de países como a Holanda são multiplicadas no Brasil. Segundo Vieira, cerca de 300 variedades de flores são importadas por ano. “No entanto, aproveitamos apenas três, ou seja, 1% das variedades que foram importadas.” Isso porque os técnicos avaliam o material (a muda) durante dois anos para saber como ele se comporta no clima tropical. “Ainda assim, a produção é excelente e consegue abastecer o mercado brasileiro e o externo”, afirma o especialista.

Segundo o agrônomo, os brasileiros ainda são conservadores quando o assunto são as flores. “Aqui, as pessoas gostam das cores que chamamos de sólidas: vermelho e branco”, relata, quase em tom de lamento, já que a indústria brasileira é capaz de produzir rosas em tons lilás, verde, marrom, ocre, salmão e bicolores - vermelha por dentro e branca nas bordas, por exemplo. No Brasil, o maior polo produtor de flores está localizado no município de Holambra (SP), a 155km da capital paulista, onde empresas trabalham com novas tecnologias e práticas de manejo para aumentar o número de espécies cultivadas e modificar as que já são produzidas no país.

Radiação gama

Existem diferentes formas de melhoramento genético. Uma das técnicas mais recentes desenvolvidas no país, pelo Centro de Enregia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP), em Piracicaba, aplica radiação gama sobre o material genético das plantas, provocando a mutação das espécies (veja abaixo). “Na medida em que é atingida uma tonalidade desejada, a clonagem permite a multiplicação do resultado obtido”, explica Monique Inês Segeren, bióloga e proprietária da Proclone Mudas e Matrizes.

Contudo, a metodologia ainda não é muito usada pelas empresas brasileiras. “Depois do investimento no irradiador (equipamento de radiação), o procedimento não é caro. O que falta é interesse dos produtores”, afirma Augusto Tulmann Neto, engenheiro agrônomo responsável pelo desenvolvimento da técnica. Para se ter uma ideia, a muda de orquídea importada, por exemplo, custa R$   4. Com a reprodução aqui no Brasil, a partir da técnica de radiação, o preço de um lote de 50 mudas não passa dos R$   10.

A questão climática do Brasil também influencia na produção de flores. Segundo Vieira, a insolação intensifica a coloração das rosas, e o clima fresco retarda a abertura dos botões, produzindo flores maiores que duram até três semanas. “O ciclo de produção das rosas é maior aqui que no Hesmisfério Norte. Com a luminosidade do Brasil, as rosas não entram em estado de dormência, como ocorre no Hemisfério Norte. Com isso, o ciclo não se torna sazonal e temos cultivo de flores o ano inteiro”, explica o agrônomo.



Fonte de pesquisa: Correio Braziliense












 
 
 
 
 
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